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RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL
Terra do frevo, caboclinhos e maracatus
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A longa história da folia

O s festejos carnavalescos foram trazidos pelos portugueses com o nome de entrudo. Era uma brincadeira violenta, onde os foliões lançavam farinha, tinturas e até água suja. Foi proibida oficialmente e aos poucos as batalhas passaram a usar confete e serpentina. Em Pernambuco, o entrudo português mudou ao assimilar as tradições africanas. No século XVII, escravos de organizações como a Companhia de Carregadores de Açúcar promoviam reuniões para a Festa de Reis, formando cortejos com bandeiras e improvisando cantigas ao ritmo de marcha. Juntos, as brincadeiras do entrudo e os cortejos de origem africana moldaram o festa pernambucana. No século XIX, surgem o frevo e o passo, dando ao carnaval de Pernambuco uma identidade única no Brasil. A partir de então, operários urbanos organizaram as primeiras agremiações nos bairros populares. No início, muitas corporações mantiveram identidade profissional: os caiadores desfilavam juntos, assim como os lenhadores. Mas, com o tempo, foram sendo criados clubes mais abertos, com nomes engraçados: Canequinhas Japonesas, Marujos do Ocidente, Toureiros de Santo Antonio. Ao lado dos maracatus, dos ursos, dos caboclinhos, das escolas de samba, estes clubes, troças e blocos, unindo as influências européias, africanas e indígenas, transformaram o carnaval de Pernambuco no maior caldeirão cultural do Brasil.

É frevo no pé

Marca registrada do carnaval pernambucano, o frevo nasceu no Recife. Musicalmente, originou-se do repertório das bandas militares na segunda metade do século XIX, misturando-se aos ritmos do maxixe, da modinha, da polca, do tango, da quadrilha e do pastoril. Com o tempo, o frevo ganhou características próprias, sendo acompanhado por uma dança de passos rápidos e acrobáticos, gerando alguns movimentos característicos como a tesoura, dobradiça, ferrolho, abanando e pernada. A partir de 1930, o frevo pernambucano passa a ter três estilos: frevo-de-rua, frevo-de-bloco e frevo-canção. O frevo-de-rua é exclusivamente instrumental, sem letra. É feito unicamente para se dançar. Este estilo tem as modalidades de frevo-abafo (predominância de instrumentos de metal), frevo-coqueiro (com notas agudas) e frevo-ventania (semicolcheias). O frevo-de-bloco é executado por Orquestras de Pau e Corda, com violões, banjos e cavaquinhos. Suas letras e melodias, muitas vezes interpretadas por corais femininos, geralmente trazem um misto de saudade e evocação. O frevo-canção ou marcha-canção possui uma parte introdutória instrumental e outra cantada, tendo como letra tema dos mais variados.

Desde o início, o frevo foi um sentimento pernambucano. Algo que se sente no meio do povo, um “apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo Carnaval” - é a definição de Pereira da Costa, no seu antigo Vocabulário Pernambucano. Frevo deriva de “ferver”, ou “frever” na boca do povo.

Texto extraido do site do Governo do Estado de Pernambuco
http://www.pernambuco.gov.br